A DIFÍCIL ARTE DE CONVIVER
Temos visto mais e mais hoje em dia Brasil afora acontecimentos que mais parecem pequenas guerras regionais, onde determinado grupo de pessoas ou classe social "invadem" o ambiente de outros grupos, normalmente com estilo de vida bem diferente, e esta "invasão" acaba gerando conflitos sérios, e totalmente desnecessários se analisarmos os fundamentos que levam a tais acontecimentos.
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| Foto Reprodução: http://www1.folha.uol.com.br/ |
Um assunto que deu pano pra manga esses dias e ainda vai dar muita pauta para a imprensa, sensacionalista ou não, são os tais "rolezinhos", termo utilizado no diminutivo mas que tem dado uma grande repercussão por evidenciar os grandes degraus que nossa sociedade apresenta entre as diversas classes de pessoas que vivem em nosso país. Estas diferenças acontecem com mais intensidade principalmente em grandes centros, onde os contrastes se evidenciam e se tornam visíveis mais facilmente.
O "rolezinho" que tem tirado o sono de muitos administradores de grandes empreendimentos comerciais em São Paulo nada mais é do que aquele passeio que já foi gostoso mas não deve ter a mesma graça pra muita gente, o passeio no shopping nas tardes dos finais de semana. E então, o que tem de errado nesses passeios no shopping? É a forma como isto vem sendo anunciado, combinado em redes sociais como Facebook e Twitter. O Problema na verdade é que ele é combinado na forma de protesto, uma forma de um grupo de jovens de classes menos favorecidas mostrar aos "filhos de ricos" que também tem o direito de frequentar os mesmos espaços comuns que eles, e a forma como os shoppings se apresentam, como templos de consumo, praticamente exclui algumas classes sociais de frequentar estes espaços. Na linguagem desses jovens que promovem esses rolês, é uma forma de eles dizerem algo como "estamos aqui", "existimos".
Nos dias de hoje, onde o "politicamente correto" parece o correto, dizer que não está certo a forma como estes eventos tem acontecido é quase por o pescoço a prêmio, pois onde já se viu, discordar que qualquer um possa frequentar qualquer local tido como público, aberto a todos. Não, jamais quis dizer que estes jovens devem ser segregados por serem pobres, mas a verdade é que eles não protestam simplesmente, eles não estão ali lutando por uma igualdade e sim para mostrar o que são e por que são da forma como são. Existem regras mínimas de boa convivência que esses jovens estão deixando de lado, e isso é que tira a legitimidade deles. Eles não estão entrando nos shoppings para passear, não estão andando pelos corredores e olhando as vitrines de forma ordeira, eles simplesmente estão lá para mostrar que são grandes, que são fortes e que tem poder e a forma como fazem isso, correndo pelos corredores, trombando e empurrando qualquer um que esteja em seu caminho, e eu só pergunto o porque de atitudes como esta, não faz nenhum sentido isso.
O que com certeza está faltando neste caso é educação, e não aquela que a escola oferece, se bem que esta também falta muita, basta ver na foto acima as palavras grifadas em vermelho, mas eu digo a educação de berço, aquela que mostra os limites do que pode ou não pode e que deve ser a linha que todos devemos seguir, onde cada um tem consciência de que as coisas que teremos na vida virão desde que trabalhemos para obtê-las. Se eu não posso comprar alguma coisa, mesmo que queira ou precise muito não vou colocar a culpa em ninguém mais, simplesmente vou procurar uma forma honesta de obter tal coisa com meu trabalho, isso sim é legítimo, isso sim é digno.
O perfil de alguns desses jovens é do famoso tipo "nem-nem", nem estudam e nem trabalham, portanto, precisam aprender muita coisa antes até de querer ter alguma coisa, mas precisam urgente, muito mais do que de coisas, precisam de limites, ou pelo menos de respeitar alguns limites. Quanto a passear no shopping, qualquer um pode, os corredores e portas estão abertos, mas se não puderem comprar um tênis porque o preço está fora do alcance, não é o shopping e as pessoas que andam por eles que tem de ser hostilizados.
Andar badernando, gritando pelos corredores e assustando quem está por lá não é o que poderia mudar essa situação e a resposta a isto tudo a maioria desses jovens não quer, é correr atrás de ser melhor como pessoa, estudar, aprender alguma profissão honesta e viver do trabalho, mas acima de tudo, aceitar que as coisas não são iguais para todo mundo, as condições nunca são as mesmas para todos, nunca foram, portanto não seria com baderna desenfreada que isso iria mudar.
Sempre existirão ricos e pobres, sempre existirão diferenças, e sempre existirão pessoas mais ou menos bem sucedidas. Se toda diferença social fosse resolvida por meio de protestos, baderna e gritos, nossas ruas seriam um verdadeiro caos, mas cada um tem o passaporte para o próprio sucesso, e muitos outros jovens, das mesmas classes sociais desses que agora fazem esses rolês, estão cuidando disso, trabalham e estudam, estes com certeza irão passear pelos shoppings e de la sairão com sacolas nas mãos, pois eles estão cuidando disso agora, para que em um futuro breve, quando o trabalho lhes proporcionar que possam fazer isso com dignidade, sem se sentirem menos que ninguém, com certeza o farão.
Moacir Carocia, em 19/01/2014

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