domingo, 26 de janeiro de 2014

REDES SOCIAIS

SEU PERFIL NO FACEBOOK MAIS TE
ESTRESSA OU MAIS TE DIVERTE?

Alguns dizem que ele está chegando fim de seus dias, outros que está começando a declinar e a grande maioria considera ser a onda do momento, que ainda vai longe. Desde que foi criado por Mark Zuckerberg e mais três amigos estudantes de Harvard em 2004 o Facebook se esparramou por todo o planeta e hoje em dia é raro ver uma pessoa que tenha ao menos um dispositivo móvel em mãos que não tenha um perfil nesta rede. Estima-se em mais de 500 milhões o número de usuários que acessam diariamente o Facebook. De famosos a simples mortais, todos tem o que dizer, mostrar e compartilhar, em quase todos os idiomas usados no planeta como forma de comunicação. Seu uso é extremamente fácil, e isso contribui para que a maioria acesse seus recursos sem nenhuma dificuldade, e esta é uma das particularidades que tornam a rede famosa.
Hoje em dia não é raro encontrar notícias postadas no Facebook antes mesmo que a grande mídia oficial as divulguem, dado ao fato de que qualquer um pode captar uma imagem em qualquer aparelho celular ou dispositivo com conexão com a WEB e imediatamente postá-la em seu perfil. É o mundo acontecendo e sendo mostrado em tempo real.
A mesma democracia que permite que todos utilizem a rede de forma livre também acaba trazendo alguns questionamentos e também alguns constrangimentos, pelo fato de nem todos terem noção do alcance e da rapidez com que as postagens feitas no Facebook se alastram, e é comum então que imagens tidas como íntimas ou particulares acabem sendo compartilhadas de forma descontrolada, dependendo do seu conteúdo. Algumas vezes esta exposição é feita pelo próprio dono do perfil e em outras, compartilhadas e marcadas maldosamente, com o intuito de atingir a reputação e a moral de algum usuário de forma propositada.

Imagem: https://www.facebook.com/interessante
Devido ao grande uso do Facebook por pessoas e empresas, várias pesquisas vem sendo feitas em relação às consequências deste uso e a maioria delas constata a mesma coisa. Muitas pessoas que utilizam a rede como forma de se socializar tendem a sentir frustração em algum nível, de mínima a muito grande, pelo simples fato de que elas sentem-se atingidas mais ou menos a partir do que veem seus amigos postarem. É a famosa situação onde a grama do vizinho é mais verde, a galinha mais gorda.
Esta situação acontece por um pequeno detalhe. A maioria das pessoas só postam o que tem de bom para mostrar e este filtro claro que gera uma imagem de perfeição. Dificilmente alguém posta uma foto do momento em que se levanta, descabelado, ou do dia em que fez uma cirurgia na boca e está com o rosto todo inchado. Este mundo perfeito que é mostrado gera em algumas pessoas de psicologia mais fraca a sensação de que a própria vida não está valendo a pena, que as conquistas que obteve na vida são nada diante do que vê nos perfis de seus amigos no Facebook.
O Facebook é uma rede que permite o compartilhamento de imagens, dependendo das configurações de privacidade da página ou perfil que gera essa imagem. Estes compartilhamentos dizem muito sobre a pessoa e seus critérios, inclusive em relação ao modo como vê o mundo e os acontecimentos. Alguns insistem em postar imagens chocantes de pessoas doentes, com grandes deformações ou amputações, outros tendem para o baixo nível em fotos apelativas.
Alguns usuários não tem a noção de quem pode ver as fotos do outro lado da tela e compartilham abertamente qualquer lixo. Falta bom senso até mesmo em postagens que falam de religião, e não especificamente em alguma destas religiões, mas em todas. Isso de dizer que existe um ser que está salvo e outro que vai "queimar", mesmo sendo filho do mesmo Pai não faz muito sentido mas os féis não perdem uma chance de mostrar aos amigos do Facebook que não estaremos todos no mesmo "céu" depois que morrermos.
Como naquele famoso ditado que diz que a diferença entre o remédio e o veneno é a dose, o mesmo pode ser aplicado ao Facebook. O ambiente virtual que dispomos pode sim ser utilizado de forma coerente e racional, desde que prevaleça sempre o bom senso em tudo o que compartilhamos ou postamos. Informação, cultura, opções de aprendizado e de expressão do que sabemos ou criamos podem ser sempre divididos de uma forma ampla e rápida, desde que mostremos sempre de maneira equilibrada o que queremos mostrar.
Se a regra do bom senso for observada, o Facebook tem uma grande chance de não cair em decadência como ocorreu com o velho Orkut, deixado de lado não pelo advento do Facebook, mas pelo baixo nível de boa parte do que era mostrado por lá. A mesma coisa vem acontecendo com o Facebook, mas esta rede tem uma diferença, as postagens podem ser curtidas e isto serve como um indicador, onde o que não agrada ninguém curte. Logo ninguém mais compartilha.
Usar o Facebook como uma forma de interagir com amigos de verdade é a proposta original desta rede social, então se o usuário aplicar em seu perfil bons critérios quando escolher o nível de privacidade e ao adicionar novos amigos, terá uma ferramenta muito bacana e objetiva para poder se comunicar com quem realmente lhe interesse em qualquer lugar do planeta que esta pessoa esteja. Ao contrário, qualquer descuido quanto a estes dois detalhes importantes pode trazer aborrecimentos tão grandes que a melhor coisa a se fazer então é cancelar a conta imediatamente.

Moacir Carocia, em 26/01/2014

domingo, 19 de janeiro de 2014

OU ALGUÉM ESTÁ CERTO OU TODOS ESTAMOS ERRADOS

A DIFÍCIL ARTE DE CONVIVER

Temos visto mais e mais hoje em dia Brasil afora acontecimentos que mais parecem pequenas guerras regionais, onde determinado grupo de pessoas ou classe social "invadem" o ambiente de outros grupos, normalmente com estilo de vida bem diferente, e esta "invasão" acaba gerando conflitos sérios, e totalmente desnecessários se analisarmos os fundamentos que levam a tais acontecimentos.

Foto Reprodução: http://www1.folha.uol.com.br/

Um assunto que deu pano pra manga esses dias e ainda vai dar muita pauta para a imprensa, sensacionalista ou não, são os tais "rolezinhos", termo utilizado no diminutivo mas que tem dado uma grande repercussão por evidenciar os grandes degraus que nossa sociedade apresenta entre as diversas classes de pessoas que vivem em nosso país. Estas diferenças acontecem com mais intensidade principalmente em grandes centros, onde os contrastes se evidenciam e se tornam visíveis mais facilmente.

O "rolezinho" que tem tirado o sono de muitos administradores de grandes empreendimentos comerciais em São Paulo nada mais é do que aquele passeio que já foi gostoso mas não deve ter a mesma graça pra muita gente, o passeio no shopping nas tardes dos finais de semana. E então, o que tem de errado nesses passeios no shopping? É a forma como isto vem sendo anunciado, combinado em redes sociais como Facebook e Twitter. O Problema na verdade é que ele é combinado na forma de protesto, uma forma de um grupo de jovens de classes menos favorecidas mostrar aos "filhos de ricos" que também tem o direito de frequentar os mesmos espaços comuns que eles, e a forma como os shoppings se apresentam, como templos de consumo, praticamente exclui algumas classes sociais de frequentar estes espaços. Na linguagem desses jovens que promovem esses rolês, é uma forma de eles dizerem algo como "estamos aqui", "existimos".

Nos dias de hoje, onde o "politicamente correto" parece o correto, dizer que não está certo a forma como estes eventos tem acontecido é quase por o pescoço a prêmio, pois onde já se viu, discordar que qualquer um possa frequentar qualquer local  tido como público, aberto a todos. Não, jamais quis dizer que estes jovens devem ser segregados por serem pobres, mas a verdade é que eles não protestam simplesmente, eles não estão ali lutando por uma igualdade e sim para mostrar o que são e por que são da forma como são. Existem regras mínimas de boa convivência que esses jovens estão deixando de lado, e isso é que tira a legitimidade deles. Eles não estão entrando nos shoppings para passear, não estão andando pelos corredores e olhando as vitrines de forma ordeira, eles simplesmente estão lá para mostrar que são grandes, que são fortes e que tem poder e a forma como fazem isso, correndo pelos corredores, trombando e empurrando qualquer um que esteja em seu caminho, e eu só pergunto o porque de atitudes como esta, não faz nenhum sentido isso.

O que com certeza está faltando neste caso é educação, e não aquela que a escola oferece, se bem que esta também falta muita, basta ver na foto acima as palavras grifadas em vermelho, mas eu digo a educação de berço, aquela que mostra os limites do que pode ou não pode e que deve ser a linha que todos devemos seguir, onde cada um tem consciência de que as coisas que teremos na vida virão desde que trabalhemos para obtê-las. Se eu não posso comprar alguma coisa, mesmo que queira ou precise muito não vou colocar a culpa em ninguém mais, simplesmente vou procurar uma forma honesta de obter tal coisa com meu trabalho, isso sim é legítimo, isso sim é digno.

O perfil de alguns desses jovens é do famoso tipo "nem-nem", nem estudam e nem trabalham, portanto, precisam aprender muita coisa antes até de querer ter alguma coisa, mas precisam urgente, muito mais do que de coisas, precisam de limites, ou pelo menos de respeitar alguns limites. Quanto a passear no shopping, qualquer um pode, os corredores e portas estão abertos, mas se não puderem comprar um tênis porque o preço está fora do alcance, não é o shopping e as pessoas que andam por eles que tem de ser hostilizados.

Andar badernando, gritando pelos corredores e assustando quem está por lá não é o que poderia mudar essa situação e a resposta a isto tudo a maioria desses jovens não quer, é correr atrás de ser melhor como pessoa, estudar, aprender alguma profissão honesta e viver do trabalho, mas acima de tudo, aceitar que as coisas não são iguais para todo mundo, as condições nunca são as mesmas para todos, nunca foram, portanto não seria com baderna desenfreada que isso iria mudar.

Sempre existirão ricos e pobres, sempre existirão diferenças, e sempre existirão pessoas mais ou menos bem sucedidas. Se toda diferença social fosse resolvida por meio de protestos, baderna e gritos, nossas ruas seriam um verdadeiro caos, mas cada um tem o passaporte para o próprio sucesso, e muitos outros jovens, das mesmas classes sociais desses que agora fazem esses rolês, estão cuidando disso, trabalham e estudam, estes com certeza irão passear pelos shoppings e de la sairão com sacolas nas mãos, pois eles estão cuidando disso agora, para que em um futuro breve, quando o trabalho lhes proporcionar que possam fazer isso com dignidade, sem se sentirem menos que ninguém, com certeza o farão.

Moacir Carocia, em 19/01/2014

domingo, 12 de janeiro de 2014

CONSEGUI...

POR QUE ESTUDAR DEPOIS DOS 40 (E POUCOS ANOS)...


Olá pessoas que acompanham meus textos aqui no Blog. Normalmente não costumo escrever em primeira pessoa, gosto de escrever de uma forma em que qualquer leitor possa se enquadrar naquilo que estou escrevendo e primeira pessoa personaliza e individualiza o texto. Mas desta vez eu faço questão de ser o sujeito, pois é sobre mim que eu quero escrever umas poucas palavras. Eu tenho já um bom tempo vivido nessa terra de Nosso Deus, e com a mesma idade minha, 47 anos, muitos amigos meus não vêem a hora de se aposentar. Eu, ao contrário não penso assim. Primeiro, por que amo o meu trabalho, e segundo, por que me sinto demais produtivo ainda para pensar em "tirar o pé". Sempre acreditei que a idade é muito mais mental do que física, e a idade física só irá se impor de verdade quando a idade mental realmente não encontrar mais motivos para andar atrasada de seu organismo, enquanto a cabeça pensar que é jovem, o corpo tem de dar seu jeito e acompanhá-la e a minha idade mental ainda é a de um moleque de vinte e poucos anos, graças a Deus.

Por pensar assim, que posso ser jovem mesmo com minha idade, a três anos comecei um projeto de futuro para mim, algo como reparar uma dívida comigo mesmo de quase trinta anos, o de voltar a estudar e concluir um curso superior. Quando terminei o ensino médio, no início da década de oitenta do século passado, faculdade era realmente como ainda se diz hoje em dia, "coisa de rico", embora hoje tenhamos muito mais condições para ingressar e manter um curso em uma universidade. Bem, condição social à parte, não vem ao caso aqui, o primeiro passo para voltar a estudar eu tinha de dar fora da escola, em minha vida pessoal e profissional. Até o final de 2010 eu tinha um trabalho que não me permitia estudar, pois me exigia tempo demais dedicado, de domingo a domingo. Então no final daquele ano consegui um emprego na associação em que trabalho até hoje, e que me ocupa somente em horário comercial de segunda a sexta feira. Então surgiu a oportunidade de fazer um curso técnico no IFPR - Instituto Federal do Paraná, e não perdi a chance, logo me inscrevi para um teste seletivo para uma das 40 vagas para o curso Técnico em Logística, e claro, consegui a vaga. Curso EAD, com aulas presenciais às quintas feiras a noite, em Campus do IFPR ou Institutos Federais de outros estados ou salas em escolas municipais e estaduais oferecidas para a apresentação dessas aulas, e tenho orgulho de dizer que só faltei em dois anos duas aulas de todas as apresentadas, por motivos de força maior.

Este curso, por ser EAD, foi oferecido para alunos em seis estados brasileiros, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia, Rondônia e Piauí, com mais de cinco mil alunos inscritos inicialmente. A orgânica do curso EAD me ajudou muito em meu aprendizado, uma vez que fui muito instigado a pesquisar além do material oferecido. Acredito que isso fez crescer muito meu conhecimento, pois sempre pesquisava o tema e o entorno do mesmo, o que tinha relacionado, e isto foi fundamental para que eu tivesse sempre um bom rendimento nas aulas e provas. Eu inovei logo no início do curso, em 2011, quando vendo a necessidade dos meus colegas de discutirem os conteúdos, e tendo a nossa disposição o portal do curso aberto todo tempo com um chat que foi usado durante as aulas presenciais para  troca de informações e discussão de dúvidas dos alunos entre os polos e a sede do Instituto em Curitiba, em um estalo criei e administrei grupos de estudos durante os sábados à tarde através deste chat, onde discutíamos os trabalhos e exercícios, o que ajudou a mim pessoalmente e a muitos colegas, pois estes chats eram sempre lotados, mais até que durante as próprias aulas em algumas ocasiões e por conta disso, muito poucas dúvidas restaram entre nós ou respostas erradas foram postadas por parte de quem participava.

Só que tudo acaba e conforme eu via o final do curso se aproximando comecei a imaginar o que eu iria fazer para não parar com os estudos, uma vez que tinha tomado gosto por estudar, até por que isso faz me sentir "jovem" (não mais jovem, só jovem), como comentei no início. O caminho natural foi pesquisar as opções e o vestibular da UEL - Universidade Estadual de Londrina me pareceu uma opção de não se descartar, e o curso, naturalmente deveria ser Administração, uma vez que já sou administrador desde que iniciei no emprego atual e também seria uma continuação do curso que eu vinha fazendo e que acabaria em 2013. Assim fiz, mas primeiro por via das dúvidas me inscrevi também para fazer a prova do ENEM - Exame Nacional do Ensino Médio, pois se eu não conseguisse a vaga na UEL teria mais uma chance de fazer um curso superior, pelo SISU ou PROUNI. Graças a Deus não precisei do resultado dessa prova, mas teria chance também caso não fosse aprovado na UEL. E aqui estou eu, careca e muito feliz por ter sido aprovado.

Com este breve relato de como foi meu caminho até ao ingresso na faculdade gostaria de inspirar mais pessoas que não tenham tido a condição para estudarem no tempo certo a acreditarem em si próprios e procurarem também algum curso para fazer, eu digo que é muito recompensador, mesmo que você não vá viver a partir do que esteja estudando, o simples fato de estar aprendendo algo, despertando a curiosidade em saber mais sobre algum assunto do que o superficial, isso é por si só um grande incentivo para que você estude. Do mesmo modo eu vejo hoje em dia muitos jovens "nem aí' para a própria vida, achando que irão ter vinte anos eternamente, não é assim e o tempo é cruel, de vinte para quarenta é um pulo, é o tempo de um casamento e dois filhos, como foi pra mim, que ainda sinto nos braços o peso de minha filha mais velha bebê, ela que já tem dezoito anos e fará em 2014 o segundo ano da faculdade de direito, e eu quase não me dei conta desse tempo todo passando, foi como se vento atravessasse entre meus dedos sem que eu me desse conta, escorreu e se foi de minhas mãos, e o que se vai como o tempo, não torna nunca mais. Pensem nisso.

Moacir Carocia, em 12/01/2014


sábado, 4 de janeiro de 2014

COMO SER A PESSOA QUE OS OUTROS VEEM

QUANDO AS APARÊNCIAS ENGANAM

Quando uma pessoa pergunta à outra "como você está?", é muito comum que a resposta seja automática: "estou bem". Mas em muitos dos casos, a resposta mais lógica seria "não estou como gostaria de estar". Então, por que dizer estar bem quando não está? Podemos afirmar que na maioria dos casos é por que não temos toda a intimidade com a pessoa que nos pergunta, ou quando não, provavelmente porque dá menos trabalho responder algo que não exija um complemento para a resposta, algo como ter de explicar o porque de não estar bem e geralmente para alguém que não tem nada a ver com sua vida. E em muitos casos dizer que está bem é o que pode ser dito, pois sobre algumas pessoas cai bem uma imagem de vida perfeita, de pessoa perfeita, o que nem sempre é real, e neste caso, algo como dizer que não está tudo bem dá um ar de que a pessoa esteja mentindo, que não esteja dando uma resposta honesta.

Foto:  Thinkstock
A expectativa de todos sobre todos é que sempre estejamos bem e felizes. Isto faz parte da cultura de todos os normais, a vontade de estar e que o outro também esteja bem e feliz. Este "estar bem", "estar feliz" pode ser resumido à condição de a pessoa estar totalmente suprida de tudo o que precisa, seja no estado físico (saúde), material ou emocionalmente. A falta de algum destes estados pode determinar que a pessoa não esteja bem, mas isto é particular de cada um. Uma pessoa pode estar bem, mas estar com alguma doença, pode estar feliz mas sem dinheiro, estar bem mas sem estar vivendo com quem gostaria de viver.

Existem pessoas que vivem duas vidas. Uma por fora, que todos podem ver, é aquela que engloba o convívio social, o trabalho, a família, os relacionamentos, enfim, uma vida com a qual o mundo exterior pode ver e interagir, e uma outra, esta vivida por dentro, que só a própria pessoa pode ver e opinar. Esta vida, secreta para o mundo é que muitas vezes não anda bem, simplesmente por não poder ser externada. Quando guardamos algo dentro de nosso amago, de nosso íntimo alguma carência ou expectativa que não se cumpre ou não se completa, e se dermos muita importância a esta falta, isto pode até nos adoecer, mas a maioria das pessoas consegue lidar bem com isso, neutraliza as causas ou os efeitos e segue dizendo "estou bem".

Podemos ter uma vida completamente resolvida, um bom emprego, uma condição social estável, porém fora de contexto, fora do planejado anteriormente ou ainda vivendo diferente do que gostaria. As frustrações, nesse caso, tem a ver com trabalhar com o que não se gosta, por exemplo, porém por um bom salário, por uma renda razoável a pessoa acaba ficando onde está, mas de alguma forma contrariada. Em outros casos um relacionamento que não vai bem, ou até um relacionamento paralelo, onde a pessoa não tem coragem de mudar o rumo, fechar uma porta para poder entrar em outra, ou por alguma razão não pode sair de onde está para ir atrás de ser feliz, ou simplesmente por que não quer sair do conforto que tem, não arrisca viver o novo.

O que todos buscam na verdade é um equilíbrio, uma estabilidade emocional que proporcione uma vida que valha a pena, que seja satisfatória, que não cause dor ou mal estar. Cada um vê com seus próprios olhos a forma como acha que deve ser este equilíbrio, e como e o que fazer para que este seja conquistado. Encontrar este ponto faz com que a pessoa passe a viver em um estágio onde não sofre mais. Uns procuram se estabilizar através da religião, outros se dedicam a alguma atividade mais prazerosa, outras simplesmente mudam de hábitos, mudam o círculo de amizades mas outras simplesmente param de lutar, passam a aceitar o que vier. Não deve ser o mais indicado a ser feito, mas se for para a pessoa estar bem, desde que isto não custe uma dor maior, pode servir para confirmar que a pessoa realmente esteja, quando for perguntado, bem de fato, caso contrário, o melhor é analisar e se for possível, mudar de rumo.

Moacir Carocia, em 04/01/2014