Olá amigos leitores, depois de um tempo focado nos estudos da faculdade, torno hoje a postar aqui. Gostaria de contar duas histórias distintas e com desfechos diferentes proporcionados pela postura dos responsáveis nas duas situações, um comandante de avião e outro, capitão de navio, e no final quero fazer a ligação destes fatos ao propósito deste texto. Bem, vamos ao primeiro fato:
No dia 15 de janeiro de 2009, o avião A320 da empresa aérea US AIRLINES decolou o voo 1549 do aeroporto de La Guardia, em Nova York com destino a Charlotte, no estado da Carolina do Norte. Logo após a decolagem, ouviu-se uma explosão em um dos motores da aeronave, provavelmente provocada pelo choque com aves e que obrigou seu comandante, Chelsey B. Sullenberger (Sully) a pousar, porém como não conseguiria retornar ao aeroporto de origem devido a perda de força nos motores, acabou fazendo um pouso de emergência nas águas do Rio Hudson, salvando com sua manobra hábil todas as 155 vidas a bordo (Leia a matéria aqui).
Em 13 de janeiro de 2012, o luxuoso navio de cruzeiro Costa Concórdia navegava próximo à ilha de Giglio, na Itália com cerca de 4.200 pessoas a bordo quando bateu em uma rocha e naufragou, matando 32 pessoas. Esse naufrágio é atribuído à imperícia do capitão do navio, Francesco Schettino em fazer uma manobra (Saiba mais sobre o naufrágio do Costa Concórdia aqui).
Além da culpa pelo naufrágio, o capitão Schettino é acusado também de ter abandonado o navio logo após o impacto, deixando para trás na embarcação tripulantes e passageiros, em uma atitude covarde e totalmente repreensível para uma pessoa com o seu grau de comando.
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| Voo 1549 - US AIRLINES - Foto: WEB |
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| Chelsey B. Sullemberger (Sully) - Foto: WEB |
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| Costa Concórdia - Foto: WEB |
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| Francesco Schettino - Foto: WEB |
Situação parecida com a dos passageiros do voo 1549 ou do navio Costa Concórdia, de ficarem sem saber se tudo terminaria bem está sendo o desfecho dado a alguns cursos técnicos na modalidade a distância - EAD que foram oferecidos pelo IFPR - Instituto Federal do Paraná. Estes cursos tiveram início em agosto de 2011 e deveriam se encerrar, pelo calendário original em setembro de 2013, porém, devido a alguns contratempos a maioria dos alunos fizeram a última prova no mês de novembro de 2013. O motivo foi que a Polícia Federal, no dia 9 de agosto de 2013 desmontou uma quadrilha que estava instalada nas entranhas do IFPR, sugando e desviando verbas justamente do ensino à distância, modalidade de ensino em questão aqui.
A PF batizou esta operação com o nome "Operação Sinapse" (leia aqui sobre esta operação da PF), e conseguiu apontar desvios da ordem de 6,6 milhões de reais, dinheiro que faltava para a impressão das apostilas que se destinavam a complementar o aprendizado dos alunos e acabou sendo investido em carrões de luxo e mansões pelos ladrões. Com o desenrolar dessa operação, uma OSCIP (Organização da Sociedade civil de Interesse Público) que cuidava do setor de ensino EAD teve seu contrato rescindido e todos os funcionários que prestavam serviços ao Instituto dando suporte aos cursos, tratando inclusive dos controles de aproveitamento dos alunos, como notas e faltas, foram dispensados.
A falta de pessoal para acompanhar esses controles fez com que o ensino EAD do IFPR ficasse "a deriva" por alguns meses, e finalmente no mês de junho de 2014 alguns alunos de polos do Paraná começaram a ser chamados para assinar a ata de formatura, evento chamado pelos responsáveis de "colação de grau". Muitos desses alunos achavam que iriam voltar para casa com um diploma em mãos, mas ainda não foi dessa vez.
Tutores e alunos de alguns polos do Paraná ainda não foram informados sobre quando será feita a cerimônia de formatura nesses polos, e as respostas a questionamentos chegam vagas, sem nenhuma definição, isso quando chegam do IFPR em Curitiba.
Inúmeros protestos contra esta situação tem sido feitos em um grupo criado em uma rede social especialmente para a integração dos alunos do curso, porém o coordenador, que até então todos entendiam que fosse coordenador a nível nacional, informou que o IFPR só tem responsabilidade pela formatura dos alunos do Paraná, e que os alunos dos demais estados que fizeram o curso pelo IFPR terão de recorrer aos institutos federais de seus respectivos estados, Bahia (IF Baiano), Mato Grosso do Sul (IFMS), Minas Gerais (IFMG), Piauí (IFPI) e Rondônia (IFRO), que conduzirão a formatura destes alunos a partir de listas enviadas pelo IFPR com os nomes dos aprovados para os referidos institutos.
Acontece que nenhum aluno dos demais estados tem a vaga ideia de como se dará a formatura deles e utilizando-se do único canal de comunicação disponível, o grupo na rede social, queixam-se diariamente do abandono em que foram deixados.
Nem alunos e nem tutores sabem o que está acontecendo, onde foram parar as notas de provas já feitas, pois muitos colegas já aprovados estão tendo de refazer estas provas, alguns mais de uma vez. Esta situação é no mínimo desrespeitosa, além de extremamente cruel com quem apostou em uma formação, investiu seu tempo para estudar, fez as provas e trabalhos, resolveu exercícios e a desorganização e o desmando simplesmente sumiram com as comprovações de tudo isso. Alguns alunos viajaram cerca de 100 km ou mais para assistir a aulas presenciais nos polos mais interioranos semanalmente por mais de dois anos, faziam esse esforço todo porque achavam que valeria a pena, procuravam uma vida melhor e o desfecho está sendo um real e imenso descaso.
Aqui podemos fazer a ligação com o início deste texto, onde foram mencionados dois exemplos de comando e condução de uma situação crítica e seria interessante que o leitor analisasse e se possível comparasse com qual das duas situações a coordenação do EAD do IFPR se parece mais, com o Comandante Sullemberger, hábil e responsável que procurou o meio mais seguro dentro do que dispunha para trazer todos os seus passageiros sãos e salvos de volta, ou com o capitão Schettino, que para não enfrentar transtornos pulou fora do barco, deixando seus comandados e passageiros tão a deriva quanto o próprio barco.
Esperamos sinceramente que esta situação se reverta o mais rápido possível e que os "capitães" do curso EAD do IFPR assumam o timão e tragam todos os colegas alunos até um porto seguro, onde não exista primeira ou segunda classe, e que todos sejam considerados alunos do IFPR, pois foi um curso do IFPR que todos fizeram, apesar de terem feito sob as asas dos Institutos Federais de seus respectivos estados.
Mesmo que a formatura seja outorgada pelos Institutos Federais de cada estado envolvido, a coordenação do IFPR precisa acompanhar o processo e cobrar eficiência e respeito a cada aluno. Esta mesma coordenação só deve considerar sua missão cumprida quando o último aluno estiver com seu diploma de conclusão de curso na mão e que isso aconteça o mais breve possível, algo que não parece estar acontecendo. Vamos acreditar que esta situação irá mudar e que todos os alunos do EAD do IFPR estarão na mesma condição, de formados nos cursos técnicos que fizeram. Vamos aguardar e confiar na consciência dos responsáveis e no grau de responsabilidade que estes acreditam que devam assumir.
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| IFPR em 09/08/2013 - Foto: Divulgação PF |
A falta de pessoal para acompanhar esses controles fez com que o ensino EAD do IFPR ficasse "a deriva" por alguns meses, e finalmente no mês de junho de 2014 alguns alunos de polos do Paraná começaram a ser chamados para assinar a ata de formatura, evento chamado pelos responsáveis de "colação de grau". Muitos desses alunos achavam que iriam voltar para casa com um diploma em mãos, mas ainda não foi dessa vez.
Tutores e alunos de alguns polos do Paraná ainda não foram informados sobre quando será feita a cerimônia de formatura nesses polos, e as respostas a questionamentos chegam vagas, sem nenhuma definição, isso quando chegam do IFPR em Curitiba.
Inúmeros protestos contra esta situação tem sido feitos em um grupo criado em uma rede social especialmente para a integração dos alunos do curso, porém o coordenador, que até então todos entendiam que fosse coordenador a nível nacional, informou que o IFPR só tem responsabilidade pela formatura dos alunos do Paraná, e que os alunos dos demais estados que fizeram o curso pelo IFPR terão de recorrer aos institutos federais de seus respectivos estados, Bahia (IF Baiano), Mato Grosso do Sul (IFMS), Minas Gerais (IFMG), Piauí (IFPI) e Rondônia (IFRO), que conduzirão a formatura destes alunos a partir de listas enviadas pelo IFPR com os nomes dos aprovados para os referidos institutos.
Acontece que nenhum aluno dos demais estados tem a vaga ideia de como se dará a formatura deles e utilizando-se do único canal de comunicação disponível, o grupo na rede social, queixam-se diariamente do abandono em que foram deixados.
Nem alunos e nem tutores sabem o que está acontecendo, onde foram parar as notas de provas já feitas, pois muitos colegas já aprovados estão tendo de refazer estas provas, alguns mais de uma vez. Esta situação é no mínimo desrespeitosa, além de extremamente cruel com quem apostou em uma formação, investiu seu tempo para estudar, fez as provas e trabalhos, resolveu exercícios e a desorganização e o desmando simplesmente sumiram com as comprovações de tudo isso. Alguns alunos viajaram cerca de 100 km ou mais para assistir a aulas presenciais nos polos mais interioranos semanalmente por mais de dois anos, faziam esse esforço todo porque achavam que valeria a pena, procuravam uma vida melhor e o desfecho está sendo um real e imenso descaso.
Aqui podemos fazer a ligação com o início deste texto, onde foram mencionados dois exemplos de comando e condução de uma situação crítica e seria interessante que o leitor analisasse e se possível comparasse com qual das duas situações a coordenação do EAD do IFPR se parece mais, com o Comandante Sullemberger, hábil e responsável que procurou o meio mais seguro dentro do que dispunha para trazer todos os seus passageiros sãos e salvos de volta, ou com o capitão Schettino, que para não enfrentar transtornos pulou fora do barco, deixando seus comandados e passageiros tão a deriva quanto o próprio barco.
Esperamos sinceramente que esta situação se reverta o mais rápido possível e que os "capitães" do curso EAD do IFPR assumam o timão e tragam todos os colegas alunos até um porto seguro, onde não exista primeira ou segunda classe, e que todos sejam considerados alunos do IFPR, pois foi um curso do IFPR que todos fizeram, apesar de terem feito sob as asas dos Institutos Federais de seus respectivos estados.
Mesmo que a formatura seja outorgada pelos Institutos Federais de cada estado envolvido, a coordenação do IFPR precisa acompanhar o processo e cobrar eficiência e respeito a cada aluno. Esta mesma coordenação só deve considerar sua missão cumprida quando o último aluno estiver com seu diploma de conclusão de curso na mão e que isso aconteça o mais breve possível, algo que não parece estar acontecendo. Vamos acreditar que esta situação irá mudar e que todos os alunos do EAD do IFPR estarão na mesma condição, de formados nos cursos técnicos que fizeram. Vamos aguardar e confiar na consciência dos responsáveis e no grau de responsabilidade que estes acreditam que devam assumir.
Moacir Carocia, em 18/06/2014









