domingo, 13 de dezembro de 2015

AMIZADE NUNCA É POR ACASO

AMIZADES ACONTECEM, SIMPLESMENTE

A todo momento em nossas vidas conhecemos pessoas, pelas mais diversas razões. Por motivos profissionais, na rua, na vida acadêmica, em festas, enfim, vivemos a todo momento cruzando com pessoas diferentes. Por algum motivo nos identificamos mais com algumas pessoas do que com outras.

Qual é então o segredo para que aconteça esta identificação? Alguns traços de semelhança do perfil destas pessoas talvez, mesmos gostos, nem sempre, o fato é que laços de amizade quando estabelecidos, só se rompem com um corte bem profundo, e ainda que existindo este corte, pode acontecer que esta amizade, momentaneamente abalada, mesmo assim não deixe de existir.


Henry Ford e Thomas Edison, foram grandes amigos - Foto WEB


Então o que liga duas pessoas, geralmente sem laços de sangue ou parentesco de qualquer grau, mas que se aceitam e se identificam melhor do que com pessoas da própria família, além de afinidades, é a confiança, e principalmente a disposição de um para atender o outro quando este precisa. Os verdadeiros amigos sabem estar presentes, e conseguem não ocupar muito espaço, exatamente quando é necessário, e assim não fazem volume nem demais e nem de menos, mas sabem sempre a hora certa de estarem presentes.

Tenho uma história curiosa a respeito de uma amizade assim, que cultivo a mais de 20 anos, e nesse tempo todo já tive alguns momentos em que cheguei a pensar em como é um saco aturar esse amigo, que tem posições as vezes um tanto quanto agressivas quando a situação é conflituosa. Ele mesmo se auto-intitula "italiano com sangue espanhol", pois seu pavio é curtíssimo. O conheci trabalhando em uma mesma empresa por quase dois anos e depois a vida nos reencontrou diversas vezes, trabalhando juntos ou não. 

Esses dias me peguei recordando uma história sobre essa amizade e essa lembrança me levou a escrever este texto, com a intenção de tentar entender o porque dessa amizade ser tão sólida e carregada de confiança de ambas as partes. Me lembro que fazia pouco mais de dois anos que o conhecia e ele me pediu um favor, pois tinha uma mesa muito grande e precisava guardá-la até conseguir vender, porém não tinha espaço disponível, dado o tamanho da mesma. Eu, como dispunha na época de um espaço fechado disponível, me prontifiquei e assim fizemos. Me recordo, salvo algum pequeno engano, que pouco mais de dez dias depois de eu ter guardado o móvel, este meu amigo me ligou e me disse curto, grosso e seco: "escuta, quanto é mesmo que combinamos que você me pagaria pela mesa?".

Na hora fiquei vendido, pois não havia de minha parte nem o interesse e muito menos cogitei que iria comprar, motivo pelo qual nem perguntara o preço. Sempre tive comigo que estava apenas guardando e esperando que ela fosse vendida para alguma outra pessoa. Após uma fração de segundos tentando buscar na memória se eu teria por acaso insinuado tal compra, disse que teria que ver direito a questão. Por fim, retornei a ligação e acabei comprando a mesa, considerando que ela me seria útil.

Eu jamais toquei nesse assunto com meu amigo, e estou contando aqui pois penso que ilustra muito bem o texto, pois é um exemplo de amizade verdadeira, quando você absorve algo que não aceitaria tão bem vindo de uma pessoa estranha, mas acaba levando bem a situação quando vem de um amigo. Claro que eu ponderei a situação, pois na época ele precisava realmente vender o móvel e eu tinha condições de comprar, e estou certo de que se fosse o inverso o final da história seria exatamente o mesmo. Talvez eu não pressionasse, mas nem tem como afirmarmos certas coisas quando os contextos mudam.

Alguns anos depois a situação se inverteu e este amigo pagou dois alugueis atrasados da casa onde eu residia com minha família, me recordo dele dizendo que eu não tinha a opção de não aceitar a ajuda, pois era sincera. Algum tempo depois quando fui quitar a divida, corrigi o valor a juros de mercado e como sabia que não seriam aceitos estes juros, coloquei o dinheiro em um envelope escuro lacrado. Me lembro até hoje da ligação depois que saí, me dando uma bronca por conta do dinheiro a mais, mas enfim, eu devia, corrigir a inflação seria o mínimo a ser feito.

É óbvio que tenho outras amizades, pessoas tão especiais quanto, mas contei esta história em particular para ilustrar que uma amizade quando se fortalece de verdade, não se rompe por qualquer motivo, não mantemos amizades somente por interesse. O xis da questão é sabermos decifrar quando a recíproca é verdadeira, e nem sempre é. Pequenos testes de confiança servem como teste para esta amizade, como passar alguma informação não tão relevante para uma pessoa que conhecemos a pouco tempo e administrar o que esta pessoa faz com tal informação, tendo sempre o cuidado de nunca confiar cegamente, pelo menos no início.

Enfim, cada um sabe muito bem quem são as pessoas de seu círculo e cultiva suas amizades da forma como melhor lhe convém. O fato é que ninguém consegue viver sem amigos, uns gostam de quantidade e outros preferem selecionar um número pequeno, mas de boas amizades que consiga administrar. Amizades boas de fato superam classes sociais, sexo, cor e credo, e aquelas consideradas realmente importantes superam até mesmo enormes distâncias, de espaço e também de tempo. Quem nunca reencontrou uma pessoa querida depois de muito tempo, talvez anos e a conversa flui como se não se vissem desde o dia anterior, isso enquanto convivemos diariamente lado a lado com estranhos. Deve ser coisa de mais de uma vida, como dizem meus amigos espíritas.

Moacir Carocia, em 14/12/2015

domingo, 25 de janeiro de 2015

VOCÊ É NORMAL? SIM... E NÃO, CLARO!

Quem é normal?

A humanidade, pelo menos esta que conhecemos, tida como civilizada, sempre viveu sob regras ditadas, as mais diversas. Estas regras nos dizem como nos portar diante das situações com que nos deparamos e tentam dirigir nossos atos com a intenção de formatar nossos comportamentos. Agindo assim tudo o que fizermos pode ser visto como normal aos olhos dos demais membros de tal sociedade.

Eu pergunto: "Quem é normal?"

Eu mesmo respondo: "Todos e ninguém!"

Imagem: WEB

Isso mesmo. Todos nós somos normais, cada um ao seu modo mas todos o somos. Vivemos em um meio social, e cada um tem seu próprio perfil de acordo com esse meio. Família, trabalho, estudos, esportes, enfim, todos nós temos nossa posição diante da sociedade relacionada com o que somos e fazemos, e cada um vive de acordo com as regras, formais ou não, que seu meio exige.

Isto parece óbvio, aparentemente um sistema só funciona se as rotinas forem repetidas, se todos fizerem sempre o que tem de fazer e tudo acontecer da forma que tiver de acontecer, caso contrário algum elo do sistema se rompe, certo? Nem sempre. Um político corrupto, um aluno que mata aula, um cônjuge infiel, um semáforo vermelho furado, uma pisada mais funda pra chegar logo ao fim da viajem, enfim, de diversas maneiras, das mais simples às mais complexas, todos nós em algum momento fazemos coisas que vão contra as regras que nosso meio impõe.

Assim, o que imaginar sobre quem "quebra" regras? Devemos de alguma forma considerar quem costuma praticar esses pequenos (ou nem tão pequenos assim) desvios como uma pessoa a quem não podemos enquadrar como normal? Ou devemos acreditar que cada um colhe sempre o que planta e que o universo conspira a favor ou contra dependendo do peso dos atos de cada um? Que tal pensarmos que cada um é livre para ser o que quiser em vez de simplesmente julgar?


Imagem: WEB

A verdade é que regras geralmente existem com o propósito de dar algum conforto ou mesmo conformação a um todo e por isso quem as segue é considerado "normal". Assim, quando se diz que devemos falar baixo em determinado ambiente, como hospital ou teatro, quer dizer que o momento ali exige esse tom baixo, a fim de proporcionar o bem estar de qualquer um que esteja naquele local. O mesmo ocorre com nossas atitudes, nossos comportamentos. Por isso usamos roupas, por isso pagamos nossas contas, por isso passamos horas estudando pra provar que sabemos na escola ou faculdade, por isso cumprimentamos pessoas quando chegamos ou saímos de acordo com o costume local.

Esta relação entre cumprimento de regras e ser normal bem que poderia encerrar esse assunto, porém sabemos que isto está longe de ser o ponto final da questão, principalmente se levarmos em conta que tudo o que fazemos sempre é demandado por alguma razão, que explica ou não nossos atos.

Como não cabe a ninguém julgar as atitudes dos outros e muito menos exigir que estes vivam de acordo com as regras que impomos a nós mesmos, diz a lei da boa convivência que respeito é uma palavra de equilíbrio, bem como uma peneira que irá selecionar entre tudo o que acontece as atitudes que realmente denotam o que é ou não um comportamento aceitável. Desta forma, do universo enorme de pessoas com quem convivemos, conseguimos enxergar a maioria delas como "normais", embora algumas nem sejam tão normais assim. E você, já parou para pensar se é normal?

Moacir Carocia, em 25/01/2015 

terça-feira, 17 de junho de 2014

SÃO AS ATITUDES DE COMANDO QUE DEFINEM O DESTINO DAS PESSOAS

Olá amigos leitores, depois de um tempo focado nos estudos da faculdade, torno hoje a postar aqui. Gostaria de contar duas histórias distintas e com desfechos diferentes proporcionados pela postura dos responsáveis nas duas situações, um comandante de  avião e outro, capitão de navio, e no final quero fazer a ligação destes fatos ao propósito deste texto. Bem, vamos ao primeiro fato:


Voo 1549 - US AIRLINES - Foto: WEB

No dia 15 de janeiro de 2009, o avião A320 da empresa aérea US AIRLINES decolou o voo 1549 do aeroporto de La Guardia, em Nova York com destino a Charlotte, no estado da Carolina do Norte. Logo após a decolagem, ouviu-se uma explosão em um dos motores da aeronave, provavelmente provocada pelo choque com aves e que obrigou seu comandante, Chelsey B. Sullenberger (Sully) a pousar, porém como não conseguiria retornar ao aeroporto de origem devido a perda de força nos motores, acabou fazendo um pouso de emergência nas águas do Rio Hudson, salvando com sua manobra hábil todas as 155 vidas a bordo (Leia a matéria aqui).


Chelsey B. Sullemberger (Sully) - Foto: WEB

Em 13 de janeiro de 2012, o luxuoso navio de cruzeiro Costa Concórdia navegava próximo à ilha de Giglio, na Itália com cerca de 4.200 pessoas a bordo quando bateu em uma rocha e naufragou, matando 32 pessoas. Esse naufrágio é atribuído à imperícia do capitão do navio, Francesco Schettino em fazer uma manobra (Saiba mais sobre o naufrágio do Costa Concórdia aqui).


Costa Concórdia - Foto: WEB

Além da culpa pelo naufrágio, o capitão Schettino é acusado também de ter abandonado o navio logo após o impacto, deixando para trás na embarcação tripulantes e passageiros, em uma atitude covarde e totalmente repreensível para uma pessoa com o seu grau de comando.


Francesco Schettino - Foto: WEB

Situação parecida com a dos passageiros do voo 1549 ou do navio Costa Concórdia, de ficarem sem saber se tudo terminaria bem está sendo o desfecho dado a alguns cursos técnicos na modalidade a distância - EAD que foram oferecidos pelo IFPR - Instituto Federal do Paraná. Estes cursos tiveram início em agosto de 2011 e deveriam se encerrar, pelo calendário original em setembro de 2013, porém, devido a alguns contratempos a maioria dos alunos fizeram a última prova no mês de novembro de 2013. O motivo foi que a Polícia Federal, no dia 9 de agosto de 2013 desmontou uma quadrilha que estava instalada nas entranhas do IFPR, sugando e desviando verbas justamente do ensino à distância, modalidade de ensino em questão aqui.


IFPR em 09/08/2013 - Foto: Divulgação PF

A PF batizou esta operação com o nome "Operação Sinapse" (leia aqui sobre esta operação da PF), e conseguiu apontar desvios da ordem de 6,6 milhões de reais, dinheiro que faltava para a impressão das apostilas que se destinavam a complementar o aprendizado dos alunos e acabou sendo investido em carrões de luxo e mansões pelos ladrões. Com o desenrolar dessa operação, uma OSCIP (Organização da Sociedade civil de Interesse Público) que cuidava do setor de ensino EAD teve seu contrato rescindido e todos os funcionários que prestavam serviços ao Instituto dando suporte aos cursos, tratando inclusive dos controles de aproveitamento dos alunos, como notas e faltas, foram dispensados.

A falta de pessoal para  acompanhar esses controles fez com que o ensino EAD do IFPR ficasse "a deriva" por alguns meses, e finalmente no mês de junho de 2014 alguns alunos de polos do Paraná começaram a ser chamados para assinar a ata de formatura, evento chamado pelos responsáveis de "colação de grau". Muitos desses alunos achavam que iriam voltar para casa com um diploma em mãos, mas ainda não foi dessa vez.

Tutores e alunos de alguns polos do Paraná ainda não foram informados sobre quando será feita a cerimônia de formatura nesses polos, e as respostas a questionamentos chegam vagas, sem nenhuma definição, isso quando chegam do IFPR em Curitiba.

Inúmeros protestos contra esta situação tem sido feitos em um grupo criado em uma rede social especialmente para a integração dos alunos do curso, porém o coordenador, que até então todos entendiam que fosse coordenador a nível nacional, informou que o IFPR só tem responsabilidade pela formatura dos alunos do Paraná, e que os alunos dos demais estados que fizeram o curso pelo IFPR terão de recorrer aos institutos federais de seus respectivos estados, Bahia (IF Baiano), Mato Grosso do Sul (IFMS), Minas Gerais (IFMG), Piauí (IFPI) e Rondônia (IFRO), que conduzirão a formatura destes alunos a partir de listas enviadas pelo IFPR com os nomes dos aprovados para os referidos institutos.

Acontece que nenhum aluno dos demais estados tem a vaga ideia de como se dará a formatura deles e utilizando-se do único canal de comunicação disponível, o grupo na rede social, queixam-se diariamente do abandono em que foram deixados.

Nem alunos e nem tutores sabem o que está acontecendo, onde foram parar as notas de provas já feitas, pois muitos colegas já aprovados estão tendo de refazer estas provas, alguns mais de uma vez. Esta situação é no mínimo desrespeitosa, além de extremamente cruel com quem apostou em uma formação, investiu seu tempo para estudar, fez as provas e trabalhos, resolveu exercícios e a desorganização e o desmando simplesmente sumiram com as comprovações de tudo isso. Alguns alunos viajaram cerca de 100 km ou mais para assistir a aulas presenciais nos polos mais interioranos semanalmente por mais de dois anos, faziam esse esforço todo porque achavam que valeria a pena, procuravam uma vida melhor e o desfecho está sendo um real e imenso descaso.

Aqui podemos fazer a ligação com o início deste texto, onde foram mencionados dois exemplos de comando e condução de uma situação crítica e seria interessante que o leitor analisasse e se possível comparasse com qual das duas situações a coordenação do EAD do IFPR se parece mais, com o Comandante Sullemberger, hábil e responsável que procurou o meio mais seguro dentro do que dispunha para trazer todos os seus passageiros sãos e salvos de volta, ou com o capitão Schettino, que para não enfrentar transtornos pulou fora do barco, deixando seus comandados e passageiros tão a deriva quanto o próprio barco.

Esperamos sinceramente que esta situação se reverta o mais rápido possível e que os "capitães" do curso EAD do IFPR assumam o timão e tragam todos os colegas alunos até um porto seguro, onde não exista primeira ou segunda classe, e que todos sejam considerados alunos do IFPR, pois foi um curso do IFPR que todos fizeram, apesar de terem feito sob as asas dos Institutos Federais de seus respectivos estados.

Mesmo que a formatura seja outorgada pelos Institutos Federais de cada estado envolvido, a coordenação do IFPR precisa acompanhar o processo e cobrar eficiência e respeito a cada aluno. Esta mesma coordenação só deve considerar sua missão cumprida quando o último aluno estiver com seu diploma de conclusão de curso na mão e que isso aconteça o mais breve possível, algo que não parece estar acontecendo. Vamos acreditar que esta situação irá mudar e que todos os alunos do EAD do IFPR estarão na mesma condição, de formados nos cursos técnicos que fizeram. Vamos aguardar e confiar na consciência dos responsáveis e no grau de responsabilidade que estes acreditam que devam assumir.


Moacir Carocia, em 18/06/2014

sábado, 15 de março de 2014

RESPONSABILIDADE

POR QUE ASSUMIR OS ERROS

Quando vejo nos noticiários de TV ou jornais que alguém morreu atropelado por um motorista embriagado me reservo o direito de indignação, mas também me coloco a imaginar alguns lances, acho até que sou meio doido por fazer isso, mas eu tento fazer a reconstituição da cena, pelos dois lados. Quem morre deixa para trás uma vida, pessoas, sonhos e oportunidades que jamais terá, e quem atropela, deixa o que? Exemplo? Vazios que jamais serão preenchidos? Perguntas sem respostas... Por que? Como? Onde começa um evento que termina em uma tragedia fatal?

Foto: https://www.facebook.com/NaoFoiAcidente?fref=ts

Para tentar entender melhor isso, é necessário se colocar na pele do motorista que bebe e dirige e tentar estabelecer uma lógica, (se é que existe alguma) para entender o porque de fazer algo que tem tudo pra dar errado, mas alguma noção do que esteja fazendo o individuo deve ter. Eu acredito que por mais irresponsável que a pessoa possa ser, não deve se levantar pela manhã e falar que vai tomar muita bebida alcoólica e depois sair correndo com seu carro até matar alguém, mas no caminho entre o copo e a tragédia, alguma lucidez o indivíduo deve carregar, e por isso eu acredito que uma fatalidade nestas condições não pode de forma alguma ser chamado de "acidente".
Não pretendo com esta afirmação defender ninguém, estou apenas dizendo que vejo tudo como um ato totalmente inconsequente de pessoas que não conseguem limitar suas atitudes a um ponto onde as regras de convivência sejam respeitadas, e assim, atravessando este ponto, tudo passa a ser permitido e o mundo está a seu dispor, para servir a seu bel prazer. O mais impressionante é que assim que acontece alguma tragédia, a maioria das pessoas saem desse "transe" imediatamente. Daí nada mais que fizer será inconsequente, pois se assim fosse o atropelador esperaria no local, socorreria a vítima, se importaria com o outro. Tudo o que consegue, totalmente consciente e lúcido do que acabou de fazer, é tentar minimizar ou mesmo se livrar das consequências para si que algo  tão grave como um acidente com vitima fatal possa implicar.
É inacreditável que mesmo com tantas notícias a respeito das tragédias cotidianas que vemos, acidentes absurdos e totalmente evitáveis, ainda existam pessoas que se deem ao luxo de continuar barbarizando no trânsito. Os exemplos estão aí, escancarados, diante de nossos olhos, mas quem deveria ver não passa nem perto disso. Esses dias vi uma postagem de um cara em uma rede social, avisando motoristas para evitarem determinada rua por que estava acontecendo uma blitz da lei seca, outro falando que tira rachas de carro com amigos e achando a maior graça em uma coisa tão irracional. Oras, estes são verdadeiros candidatos a cometer crimes utilizando o volante de um carro, e mais, postando isso em redes sociais, estão nada menos que gerenciando grupos que pensam igual, onde os membros são também inconsequentes.
E as vítimas desses maníacos, o que fizeram para perecer estupidamente sob as rodas de um carro, sendo jogadas e estendidas no asfalto ou muito quente ou gelado, o que sentem? Pânico? Dor além do que uma pessoa possa suportar? No que pensam? Que nunca mais verão a esposa, o marido, que nunca mais irão pegar o filho no colo ou mesmo vê-lo crescer? Nem todas as vítimas morrem na hora, algumas agonizam, e muitas vezes sozinhas, longe de pessoas conhecidas, não tem nem menos a chance de se despedirem. Nestes casos, costumo imaginar algumas coisas em que a pessoa deva pensar antes de morrer. Coisas simples do dia a dia de todo mundo, como administrar os remédios da mãe idosa e doente, quem irá controlar isso? O filho na escola, nesse dia, vai ficar esperando sozinho, pois seu pai ou sua mãe não irão pegá-lo, como faz todos os dias, tudo por que algum infeliz simplesmente acha normal dirigir mesmo estando com seus reflexos totalmente reduzidos, seus sentidos todos muito alterados, assim, acelera sem noção, dirige sem rumo e nem faz ideia do que seja um freio ou para que serve. É terrível quando penso nisso, fico muito mal. Imagino que quem bebe e dirige não deve pensar nessas coisas nunca.
Estou escrevendo este texto em um sábado a noite, dia e horário propícios a tragédias causadas por estes dois ingredientes, volante e bebidas alcoólicas, e em dias assim eu também costumo pensar em quem vai sair e não voltar pra casa, na garota que sai brigada com a mãe, no moço que sai sem nem dizer tchau para os pais, e vão para festas, entram conscientes nestas festas, mas como irão sair, só Deus sabe, muitos não irão mesmo voltar vivos. Na verdade estão exercendo seu direito de serem jovens, mas infelizmente alguns deles irão passar dos limites. As noticias amanhã de manhã irão mostrar o que estou dizendo, não por que sou pessimista, mas por que isto é fato, infelizmente.
O que pode mudar isto então? Leis mais rígidas? Punições de reparação aos infratores para com os familiares de suas vítimas? Nossa legislação até que tem uma certa rigidez, mas existe algo como um "morde e assopra" que normalmente beneficia o infrator em detrimento da vítima, esta sim encarcerada em uma urna fúnebre. A culpa desta vítima, punida com a pena capital se resume apenas em estar no caminho de seu agressor. Em uma expressão mais simples, não estava em um bom dia, e por isso foi penalizado. Eu acredito que educação em um nível que possa mudar esse quadro deve vir do berço, então só o tempo poderá mudar isso. Aos motoristas de hoje, só mesmo punições mais rígidas e sem nenhum benefício de redução de pena e fiscalização mais eficaz podem fazer com que esta situação mude, sem estas atitudes enérgicas não antevejo uma mudança por si só. enquanto os motoristas não assumirem as responsabilidades por seus atos, ainda veremos muitas notícias tristes falando de tragédias que poderiam ser totalmente evitáveis com uma simples mudança de atitude de quem senta ao volante de um carro, se todos os motoristas respeitassem aquele conselho que ouvimos muito em comerciais de cerveja, "Se beber não dirija".
Se você concorda comigo, se acha que não estou exagerando, clique aqui e assine o abaixo-assinado "INICIATIVA POPULAR SOBRE CRIMES QUE ENVOLVAM A EMBRIAGUEZ AO VOLANTE", que será enviado ao Presidente do Congresso Nacional. Faltam 308.337 assinaturas das 1.300.000 necessárias. Eu já assinei, não custa nada, assine você também, vale muito a pena ajudar, neste caso.

Moacir Carocia, em 15/03/2014.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

NOSSA VIDA É (DEVERIA SER) UMA FESTA

NÃO LEVE A VIDA TÃO A SÉRIO, AFINAL, VOCÊ NÃO IRÁ SAIR VIVO DELA MESMO...

De sério nesta vida eu penso que a unica coisa que deveríamos levar é a expressão acima. Mas particularmente falando, quando me dei conta disso já era tarde, já tinha esposa, filhos e compromissos. Daí levar ou não a vida a sério não é mais uma questão de escolha, mas a única opção que temos. Quando somos jovens, temos sonhos, aspirações e um monte de dúvidas. O que seremos, qual profissão devemos escolher de acordo com nossas afinidades. Nesta fase, aqueles que tem o empreendedorismo dentro de si como um sinal genético, já definem o futuro ali mesmo, a partir do primeiro emprego, então, não é raro vermos mecânicos de automóveis que começaram lavando peças em oficinas de amigos dos pais. Outros mais sortudos tem tempo pra pensar no que fazer quando não for mais moralmente aceitável viver exclusivamente da renda dos pais, e assim, estudam, estudam e estudam, fazem testes de aptidão e vocacionais antes de definir qual faculdade cursar, e quando ingressam no curso escolhido tem todo o tempo à disposição para se prepararem bem para profissão que escolheram para trabalhar e se sustentar no futuro.

Foto: WEB

Em todas as situações, a verdade é que quando entramos na vida adulta, o espaço para nós mesmos fica limitado dependendo do tamanho da carga que colocamos em nossas costas, das responsabilidades que assumimos e da forma que escolhemos viver, profissionalmente falando. Mas e aí? Por que aceitamos essas cargas? Bem, a maioria de nós podemos dizer que não as escolhemos, que não fomos nós que as "alçamos", simplesmente elas caem  como de paraquedas sobre nós e quando vemos já é tarde, o caminho não tem volta. Aqueles que tem responsabilidade simplesmente as assumem como algo que tinha de ser, e assim passa uma vida sem viver, só trabalhando por compromissos assumidos com coisas e situações.
Ontem meu Professor de Sociologia da Faculdade falava de um trabalho seu em uma grande empresa sobre as relações entre a corporação e os funcionários, e nos contou sobre um rapaz que é funcionário lá a mais de dez anos e diz ser muito feliz por trabalhar na tal empresa e também que sente o maior orgulho em contar onde trabalha. O que esse rapaz tanto ganha da empresa? A satisfação de ter um emprego naquela organização. Ele mora em uma casa de fundo, humilde e pequena em um bairro de periferia bem distante do centro e do próprio trabalho, tem uma vida simples e sem  nenhuma sofisticação, porém se declara um apaixonado pelo emprego e pelo trabalho que tem. Eu penso que tentar convencer uma pessoa assim que felicidade seria mais que isso, mais que um emprego e uma moradia humilde e distante, seria algo como ser no mínimo cruel com ela.
Para a maioria de nós felicidade está muito mais relacionada com ter - coisas materiais - e ser - alguém com status social - do que simplesmente vermos satisfação no que temos, naquilo que realmente nos pertence, no fato de poder nos sentir totalmente saciados em nossas necessidades vivendo assim em um estado de paz e harmonia de vida que poucos conseguem. Acredito que este funcionário atingiu um status que a maioria de nós jamais alcançará, o da satisfação de viver e ser grato pelo que tem e é, independente do quanto isso possa parecer pequeno como projeto de vida de alguém em relação ao que a maioria almeja.
A bem da verdade, uma vida sem muitas aspirações acaba sendo mais fácil de ser vivida, pois sem expectativas não há como existir frustrações e sem frustrações podemos dizer que a felicidade pode ocupar todo o espaço. Enfim, acho que nisso se resume a vida do operário citado pelo meu Professor, onde o sujeito considera exigências mínimas quanto ao que imagina necessitar para se sentir feliz. 
Por outro lado, se considerarmos que esta satisfação é "trabalhada" pela empresa - e é isso que acontece de fato - acabaremos por concluir que a felicidade deste sujeito não é totalmente verdadeira, pois ela é condicionada à necessidade da organização de ter colaboradores que não pensem muito em si, justamente para suprir a necessidade de mão de obra de pessoas alienadas a uma rotina diária de produção que no fundo garante a existência da própria organização, então, se este funcionário por acaso pensar que pode ser mais feliz do que é e correr atrás desse aumento de satisfação de alguma forma, seja estudando ou procurando um trabalho onde tenha condição de ser valorizado mais como pessoa do que como apenas uma "extensão da máquina", a organização como um todo sofre um revés, e por isso esta organização fará tudo para que este funcionário pense que tem sorte de ter um emprego, e mais, que se sinta extremamente grato por ele.
Esta é a lei da selva do capitalismo, onde poucos necessitam de muitos pra produzir e outros tantos mais para consumir o que é produzido, e o caminho para este desejo de consumo é convertido na nossa necessidade desses itens produzidos, relacionado a uma felicidade vazia criada e distribuída massivamente através da mídia e que se esvai assim que colocamos a mão naquilo que tanto desejávamos. 
Felicidade é estar bem, estar saciado e ao lado de pessoas que nos fazem bem, o resto são invenções neuróticas, pensamentos alienados, criados e distribuídos com o único objetivo de girar a roda da economia, chamada por uns (muito) poucos de "roda da fortuna" mas que para a maioria pode muito bem ser nominada como "a roda das angústias", pois cria necessidades irreais que se não trazem sofrimentos, proporcionam muitas frustrações, por desequilibrar o nível social entre um e outro a partir de bugigangas materiais totalmente dispensáveis diante de nossas verdadeiras necessidades.


Moacir Carocia, em 22/02/2014

domingo, 26 de janeiro de 2014

REDES SOCIAIS

SEU PERFIL NO FACEBOOK MAIS TE
ESTRESSA OU MAIS TE DIVERTE?

Alguns dizem que ele está chegando fim de seus dias, outros que está começando a declinar e a grande maioria considera ser a onda do momento, que ainda vai longe. Desde que foi criado por Mark Zuckerberg e mais três amigos estudantes de Harvard em 2004 o Facebook se esparramou por todo o planeta e hoje em dia é raro ver uma pessoa que tenha ao menos um dispositivo móvel em mãos que não tenha um perfil nesta rede. Estima-se em mais de 500 milhões o número de usuários que acessam diariamente o Facebook. De famosos a simples mortais, todos tem o que dizer, mostrar e compartilhar, em quase todos os idiomas usados no planeta como forma de comunicação. Seu uso é extremamente fácil, e isso contribui para que a maioria acesse seus recursos sem nenhuma dificuldade, e esta é uma das particularidades que tornam a rede famosa.
Hoje em dia não é raro encontrar notícias postadas no Facebook antes mesmo que a grande mídia oficial as divulguem, dado ao fato de que qualquer um pode captar uma imagem em qualquer aparelho celular ou dispositivo com conexão com a WEB e imediatamente postá-la em seu perfil. É o mundo acontecendo e sendo mostrado em tempo real.
A mesma democracia que permite que todos utilizem a rede de forma livre também acaba trazendo alguns questionamentos e também alguns constrangimentos, pelo fato de nem todos terem noção do alcance e da rapidez com que as postagens feitas no Facebook se alastram, e é comum então que imagens tidas como íntimas ou particulares acabem sendo compartilhadas de forma descontrolada, dependendo do seu conteúdo. Algumas vezes esta exposição é feita pelo próprio dono do perfil e em outras, compartilhadas e marcadas maldosamente, com o intuito de atingir a reputação e a moral de algum usuário de forma propositada.

Imagem: https://www.facebook.com/interessante
Devido ao grande uso do Facebook por pessoas e empresas, várias pesquisas vem sendo feitas em relação às consequências deste uso e a maioria delas constata a mesma coisa. Muitas pessoas que utilizam a rede como forma de se socializar tendem a sentir frustração em algum nível, de mínima a muito grande, pelo simples fato de que elas sentem-se atingidas mais ou menos a partir do que veem seus amigos postarem. É a famosa situação onde a grama do vizinho é mais verde, a galinha mais gorda.
Esta situação acontece por um pequeno detalhe. A maioria das pessoas só postam o que tem de bom para mostrar e este filtro claro que gera uma imagem de perfeição. Dificilmente alguém posta uma foto do momento em que se levanta, descabelado, ou do dia em que fez uma cirurgia na boca e está com o rosto todo inchado. Este mundo perfeito que é mostrado gera em algumas pessoas de psicologia mais fraca a sensação de que a própria vida não está valendo a pena, que as conquistas que obteve na vida são nada diante do que vê nos perfis de seus amigos no Facebook.
O Facebook é uma rede que permite o compartilhamento de imagens, dependendo das configurações de privacidade da página ou perfil que gera essa imagem. Estes compartilhamentos dizem muito sobre a pessoa e seus critérios, inclusive em relação ao modo como vê o mundo e os acontecimentos. Alguns insistem em postar imagens chocantes de pessoas doentes, com grandes deformações ou amputações, outros tendem para o baixo nível em fotos apelativas.
Alguns usuários não tem a noção de quem pode ver as fotos do outro lado da tela e compartilham abertamente qualquer lixo. Falta bom senso até mesmo em postagens que falam de religião, e não especificamente em alguma destas religiões, mas em todas. Isso de dizer que existe um ser que está salvo e outro que vai "queimar", mesmo sendo filho do mesmo Pai não faz muito sentido mas os féis não perdem uma chance de mostrar aos amigos do Facebook que não estaremos todos no mesmo "céu" depois que morrermos.
Como naquele famoso ditado que diz que a diferença entre o remédio e o veneno é a dose, o mesmo pode ser aplicado ao Facebook. O ambiente virtual que dispomos pode sim ser utilizado de forma coerente e racional, desde que prevaleça sempre o bom senso em tudo o que compartilhamos ou postamos. Informação, cultura, opções de aprendizado e de expressão do que sabemos ou criamos podem ser sempre divididos de uma forma ampla e rápida, desde que mostremos sempre de maneira equilibrada o que queremos mostrar.
Se a regra do bom senso for observada, o Facebook tem uma grande chance de não cair em decadência como ocorreu com o velho Orkut, deixado de lado não pelo advento do Facebook, mas pelo baixo nível de boa parte do que era mostrado por lá. A mesma coisa vem acontecendo com o Facebook, mas esta rede tem uma diferença, as postagens podem ser curtidas e isto serve como um indicador, onde o que não agrada ninguém curte. Logo ninguém mais compartilha.
Usar o Facebook como uma forma de interagir com amigos de verdade é a proposta original desta rede social, então se o usuário aplicar em seu perfil bons critérios quando escolher o nível de privacidade e ao adicionar novos amigos, terá uma ferramenta muito bacana e objetiva para poder se comunicar com quem realmente lhe interesse em qualquer lugar do planeta que esta pessoa esteja. Ao contrário, qualquer descuido quanto a estes dois detalhes importantes pode trazer aborrecimentos tão grandes que a melhor coisa a se fazer então é cancelar a conta imediatamente.

Moacir Carocia, em 26/01/2014

domingo, 19 de janeiro de 2014

OU ALGUÉM ESTÁ CERTO OU TODOS ESTAMOS ERRADOS

A DIFÍCIL ARTE DE CONVIVER

Temos visto mais e mais hoje em dia Brasil afora acontecimentos que mais parecem pequenas guerras regionais, onde determinado grupo de pessoas ou classe social "invadem" o ambiente de outros grupos, normalmente com estilo de vida bem diferente, e esta "invasão" acaba gerando conflitos sérios, e totalmente desnecessários se analisarmos os fundamentos que levam a tais acontecimentos.

Foto Reprodução: http://www1.folha.uol.com.br/

Um assunto que deu pano pra manga esses dias e ainda vai dar muita pauta para a imprensa, sensacionalista ou não, são os tais "rolezinhos", termo utilizado no diminutivo mas que tem dado uma grande repercussão por evidenciar os grandes degraus que nossa sociedade apresenta entre as diversas classes de pessoas que vivem em nosso país. Estas diferenças acontecem com mais intensidade principalmente em grandes centros, onde os contrastes se evidenciam e se tornam visíveis mais facilmente.

O "rolezinho" que tem tirado o sono de muitos administradores de grandes empreendimentos comerciais em São Paulo nada mais é do que aquele passeio que já foi gostoso mas não deve ter a mesma graça pra muita gente, o passeio no shopping nas tardes dos finais de semana. E então, o que tem de errado nesses passeios no shopping? É a forma como isto vem sendo anunciado, combinado em redes sociais como Facebook e Twitter. O Problema na verdade é que ele é combinado na forma de protesto, uma forma de um grupo de jovens de classes menos favorecidas mostrar aos "filhos de ricos" que também tem o direito de frequentar os mesmos espaços comuns que eles, e a forma como os shoppings se apresentam, como templos de consumo, praticamente exclui algumas classes sociais de frequentar estes espaços. Na linguagem desses jovens que promovem esses rolês, é uma forma de eles dizerem algo como "estamos aqui", "existimos".

Nos dias de hoje, onde o "politicamente correto" parece o correto, dizer que não está certo a forma como estes eventos tem acontecido é quase por o pescoço a prêmio, pois onde já se viu, discordar que qualquer um possa frequentar qualquer local  tido como público, aberto a todos. Não, jamais quis dizer que estes jovens devem ser segregados por serem pobres, mas a verdade é que eles não protestam simplesmente, eles não estão ali lutando por uma igualdade e sim para mostrar o que são e por que são da forma como são. Existem regras mínimas de boa convivência que esses jovens estão deixando de lado, e isso é que tira a legitimidade deles. Eles não estão entrando nos shoppings para passear, não estão andando pelos corredores e olhando as vitrines de forma ordeira, eles simplesmente estão lá para mostrar que são grandes, que são fortes e que tem poder e a forma como fazem isso, correndo pelos corredores, trombando e empurrando qualquer um que esteja em seu caminho, e eu só pergunto o porque de atitudes como esta, não faz nenhum sentido isso.

O que com certeza está faltando neste caso é educação, e não aquela que a escola oferece, se bem que esta também falta muita, basta ver na foto acima as palavras grifadas em vermelho, mas eu digo a educação de berço, aquela que mostra os limites do que pode ou não pode e que deve ser a linha que todos devemos seguir, onde cada um tem consciência de que as coisas que teremos na vida virão desde que trabalhemos para obtê-las. Se eu não posso comprar alguma coisa, mesmo que queira ou precise muito não vou colocar a culpa em ninguém mais, simplesmente vou procurar uma forma honesta de obter tal coisa com meu trabalho, isso sim é legítimo, isso sim é digno.

O perfil de alguns desses jovens é do famoso tipo "nem-nem", nem estudam e nem trabalham, portanto, precisam aprender muita coisa antes até de querer ter alguma coisa, mas precisam urgente, muito mais do que de coisas, precisam de limites, ou pelo menos de respeitar alguns limites. Quanto a passear no shopping, qualquer um pode, os corredores e portas estão abertos, mas se não puderem comprar um tênis porque o preço está fora do alcance, não é o shopping e as pessoas que andam por eles que tem de ser hostilizados.

Andar badernando, gritando pelos corredores e assustando quem está por lá não é o que poderia mudar essa situação e a resposta a isto tudo a maioria desses jovens não quer, é correr atrás de ser melhor como pessoa, estudar, aprender alguma profissão honesta e viver do trabalho, mas acima de tudo, aceitar que as coisas não são iguais para todo mundo, as condições nunca são as mesmas para todos, nunca foram, portanto não seria com baderna desenfreada que isso iria mudar.

Sempre existirão ricos e pobres, sempre existirão diferenças, e sempre existirão pessoas mais ou menos bem sucedidas. Se toda diferença social fosse resolvida por meio de protestos, baderna e gritos, nossas ruas seriam um verdadeiro caos, mas cada um tem o passaporte para o próprio sucesso, e muitos outros jovens, das mesmas classes sociais desses que agora fazem esses rolês, estão cuidando disso, trabalham e estudam, estes com certeza irão passear pelos shoppings e de la sairão com sacolas nas mãos, pois eles estão cuidando disso agora, para que em um futuro breve, quando o trabalho lhes proporcionar que possam fazer isso com dignidade, sem se sentirem menos que ninguém, com certeza o farão.

Moacir Carocia, em 19/01/2014