domingo, 13 de dezembro de 2015

AMIZADE NUNCA É POR ACASO

AMIZADES ACONTECEM, SIMPLESMENTE

A todo momento em nossas vidas conhecemos pessoas, pelas mais diversas razões. Por motivos profissionais, na rua, na vida acadêmica, em festas, enfim, vivemos a todo momento cruzando com pessoas diferentes. Por algum motivo nos identificamos mais com algumas pessoas do que com outras.

Qual é então o segredo para que aconteça esta identificação? Alguns traços de semelhança do perfil destas pessoas talvez, mesmos gostos, nem sempre, o fato é que laços de amizade quando estabelecidos, só se rompem com um corte bem profundo, e ainda que existindo este corte, pode acontecer que esta amizade, momentaneamente abalada, mesmo assim não deixe de existir.


Henry Ford e Thomas Edison, foram grandes amigos - Foto WEB


Então o que liga duas pessoas, geralmente sem laços de sangue ou parentesco de qualquer grau, mas que se aceitam e se identificam melhor do que com pessoas da própria família, além de afinidades, é a confiança, e principalmente a disposição de um para atender o outro quando este precisa. Os verdadeiros amigos sabem estar presentes, e conseguem não ocupar muito espaço, exatamente quando é necessário, e assim não fazem volume nem demais e nem de menos, mas sabem sempre a hora certa de estarem presentes.

Tenho uma história curiosa a respeito de uma amizade assim, que cultivo a mais de 20 anos, e nesse tempo todo já tive alguns momentos em que cheguei a pensar em como é um saco aturar esse amigo, que tem posições as vezes um tanto quanto agressivas quando a situação é conflituosa. Ele mesmo se auto-intitula "italiano com sangue espanhol", pois seu pavio é curtíssimo. O conheci trabalhando em uma mesma empresa por quase dois anos e depois a vida nos reencontrou diversas vezes, trabalhando juntos ou não. 

Esses dias me peguei recordando uma história sobre essa amizade e essa lembrança me levou a escrever este texto, com a intenção de tentar entender o porque dessa amizade ser tão sólida e carregada de confiança de ambas as partes. Me lembro que fazia pouco mais de dois anos que o conhecia e ele me pediu um favor, pois tinha uma mesa muito grande e precisava guardá-la até conseguir vender, porém não tinha espaço disponível, dado o tamanho da mesma. Eu, como dispunha na época de um espaço fechado disponível, me prontifiquei e assim fizemos. Me recordo, salvo algum pequeno engano, que pouco mais de dez dias depois de eu ter guardado o móvel, este meu amigo me ligou e me disse curto, grosso e seco: "escuta, quanto é mesmo que combinamos que você me pagaria pela mesa?".

Na hora fiquei vendido, pois não havia de minha parte nem o interesse e muito menos cogitei que iria comprar, motivo pelo qual nem perguntara o preço. Sempre tive comigo que estava apenas guardando e esperando que ela fosse vendida para alguma outra pessoa. Após uma fração de segundos tentando buscar na memória se eu teria por acaso insinuado tal compra, disse que teria que ver direito a questão. Por fim, retornei a ligação e acabei comprando a mesa, considerando que ela me seria útil.

Eu jamais toquei nesse assunto com meu amigo, e estou contando aqui pois penso que ilustra muito bem o texto, pois é um exemplo de amizade verdadeira, quando você absorve algo que não aceitaria tão bem vindo de uma pessoa estranha, mas acaba levando bem a situação quando vem de um amigo. Claro que eu ponderei a situação, pois na época ele precisava realmente vender o móvel e eu tinha condições de comprar, e estou certo de que se fosse o inverso o final da história seria exatamente o mesmo. Talvez eu não pressionasse, mas nem tem como afirmarmos certas coisas quando os contextos mudam.

Alguns anos depois a situação se inverteu e este amigo pagou dois alugueis atrasados da casa onde eu residia com minha família, me recordo dele dizendo que eu não tinha a opção de não aceitar a ajuda, pois era sincera. Algum tempo depois quando fui quitar a divida, corrigi o valor a juros de mercado e como sabia que não seriam aceitos estes juros, coloquei o dinheiro em um envelope escuro lacrado. Me lembro até hoje da ligação depois que saí, me dando uma bronca por conta do dinheiro a mais, mas enfim, eu devia, corrigir a inflação seria o mínimo a ser feito.

É óbvio que tenho outras amizades, pessoas tão especiais quanto, mas contei esta história em particular para ilustrar que uma amizade quando se fortalece de verdade, não se rompe por qualquer motivo, não mantemos amizades somente por interesse. O xis da questão é sabermos decifrar quando a recíproca é verdadeira, e nem sempre é. Pequenos testes de confiança servem como teste para esta amizade, como passar alguma informação não tão relevante para uma pessoa que conhecemos a pouco tempo e administrar o que esta pessoa faz com tal informação, tendo sempre o cuidado de nunca confiar cegamente, pelo menos no início.

Enfim, cada um sabe muito bem quem são as pessoas de seu círculo e cultiva suas amizades da forma como melhor lhe convém. O fato é que ninguém consegue viver sem amigos, uns gostam de quantidade e outros preferem selecionar um número pequeno, mas de boas amizades que consiga administrar. Amizades boas de fato superam classes sociais, sexo, cor e credo, e aquelas consideradas realmente importantes superam até mesmo enormes distâncias, de espaço e também de tempo. Quem nunca reencontrou uma pessoa querida depois de muito tempo, talvez anos e a conversa flui como se não se vissem desde o dia anterior, isso enquanto convivemos diariamente lado a lado com estranhos. Deve ser coisa de mais de uma vida, como dizem meus amigos espíritas.

Moacir Carocia, em 14/12/2015

domingo, 25 de janeiro de 2015

VOCÊ É NORMAL? SIM... E NÃO, CLARO!

Quem é normal?

A humanidade, pelo menos esta que conhecemos, tida como civilizada, sempre viveu sob regras ditadas, as mais diversas. Estas regras nos dizem como nos portar diante das situações com que nos deparamos e tentam dirigir nossos atos com a intenção de formatar nossos comportamentos. Agindo assim tudo o que fizermos pode ser visto como normal aos olhos dos demais membros de tal sociedade.

Eu pergunto: "Quem é normal?"

Eu mesmo respondo: "Todos e ninguém!"

Imagem: WEB

Isso mesmo. Todos nós somos normais, cada um ao seu modo mas todos o somos. Vivemos em um meio social, e cada um tem seu próprio perfil de acordo com esse meio. Família, trabalho, estudos, esportes, enfim, todos nós temos nossa posição diante da sociedade relacionada com o que somos e fazemos, e cada um vive de acordo com as regras, formais ou não, que seu meio exige.

Isto parece óbvio, aparentemente um sistema só funciona se as rotinas forem repetidas, se todos fizerem sempre o que tem de fazer e tudo acontecer da forma que tiver de acontecer, caso contrário algum elo do sistema se rompe, certo? Nem sempre. Um político corrupto, um aluno que mata aula, um cônjuge infiel, um semáforo vermelho furado, uma pisada mais funda pra chegar logo ao fim da viajem, enfim, de diversas maneiras, das mais simples às mais complexas, todos nós em algum momento fazemos coisas que vão contra as regras que nosso meio impõe.

Assim, o que imaginar sobre quem "quebra" regras? Devemos de alguma forma considerar quem costuma praticar esses pequenos (ou nem tão pequenos assim) desvios como uma pessoa a quem não podemos enquadrar como normal? Ou devemos acreditar que cada um colhe sempre o que planta e que o universo conspira a favor ou contra dependendo do peso dos atos de cada um? Que tal pensarmos que cada um é livre para ser o que quiser em vez de simplesmente julgar?


Imagem: WEB

A verdade é que regras geralmente existem com o propósito de dar algum conforto ou mesmo conformação a um todo e por isso quem as segue é considerado "normal". Assim, quando se diz que devemos falar baixo em determinado ambiente, como hospital ou teatro, quer dizer que o momento ali exige esse tom baixo, a fim de proporcionar o bem estar de qualquer um que esteja naquele local. O mesmo ocorre com nossas atitudes, nossos comportamentos. Por isso usamos roupas, por isso pagamos nossas contas, por isso passamos horas estudando pra provar que sabemos na escola ou faculdade, por isso cumprimentamos pessoas quando chegamos ou saímos de acordo com o costume local.

Esta relação entre cumprimento de regras e ser normal bem que poderia encerrar esse assunto, porém sabemos que isto está longe de ser o ponto final da questão, principalmente se levarmos em conta que tudo o que fazemos sempre é demandado por alguma razão, que explica ou não nossos atos.

Como não cabe a ninguém julgar as atitudes dos outros e muito menos exigir que estes vivam de acordo com as regras que impomos a nós mesmos, diz a lei da boa convivência que respeito é uma palavra de equilíbrio, bem como uma peneira que irá selecionar entre tudo o que acontece as atitudes que realmente denotam o que é ou não um comportamento aceitável. Desta forma, do universo enorme de pessoas com quem convivemos, conseguimos enxergar a maioria delas como "normais", embora algumas nem sejam tão normais assim. E você, já parou para pensar se é normal?

Moacir Carocia, em 25/01/2015