NÃO LEVE A VIDA TÃO A SÉRIO, AFINAL, VOCÊ NÃO IRÁ SAIR VIVO DELA MESMO...
De sério nesta vida eu penso que a unica coisa que deveríamos levar é a expressão acima. Mas particularmente falando, quando me dei conta disso já era tarde, já tinha esposa, filhos e compromissos. Daí levar ou não a vida a sério não é mais uma questão de escolha, mas a única opção que temos. Quando somos jovens, temos sonhos, aspirações e um monte de dúvidas. O que seremos, qual profissão devemos escolher de acordo com nossas afinidades. Nesta fase, aqueles que tem o empreendedorismo dentro de si como um sinal genético, já definem o futuro ali mesmo, a partir do primeiro emprego, então, não é raro vermos mecânicos de automóveis que começaram lavando peças em oficinas de amigos dos pais. Outros mais sortudos tem tempo pra pensar no que fazer quando não for mais moralmente aceitável viver exclusivamente da renda dos pais, e assim, estudam, estudam e estudam, fazem testes de aptidão e vocacionais antes de definir qual faculdade cursar, e quando ingressam no curso escolhido tem todo o tempo à disposição para se prepararem bem para profissão que escolheram para trabalhar e se sustentar no futuro.
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| Foto: WEB |
Em todas as situações, a verdade é que quando entramos na vida adulta, o espaço para nós mesmos fica limitado dependendo do tamanho da carga que colocamos em nossas costas, das responsabilidades que assumimos e da forma que escolhemos viver, profissionalmente falando. Mas e aí? Por que aceitamos essas cargas? Bem, a maioria de nós podemos dizer que não as escolhemos, que não fomos nós que as "alçamos", simplesmente elas caem como de paraquedas sobre nós e quando vemos já é tarde, o caminho não tem volta. Aqueles que tem responsabilidade simplesmente as assumem como algo que tinha de ser, e assim passa uma vida sem viver, só trabalhando por compromissos assumidos com coisas e situações.
Ontem meu Professor de Sociologia da Faculdade falava de um trabalho seu em uma grande empresa sobre as relações entre a corporação e os funcionários, e nos contou sobre um rapaz que é funcionário lá a mais de dez anos e diz ser muito feliz por trabalhar na tal empresa e também que sente o maior orgulho em contar onde trabalha. O que esse rapaz tanto ganha da empresa? A satisfação de ter um emprego naquela organização. Ele mora em uma casa de fundo, humilde e pequena em um bairro de periferia bem distante do centro e do próprio trabalho, tem uma vida simples e sem nenhuma sofisticação, porém se declara um apaixonado pelo emprego e pelo trabalho que tem. Eu penso que tentar convencer uma pessoa assim que felicidade seria mais que isso, mais que um emprego e uma moradia humilde e distante, seria algo como ser no mínimo cruel com ela.
Para a maioria de nós felicidade está muito mais relacionada com ter - coisas materiais - e ser - alguém com status social - do que simplesmente vermos satisfação no que temos, naquilo que realmente nos pertence, no fato de poder nos sentir totalmente saciados em nossas necessidades vivendo assim em um estado de paz e harmonia de vida que poucos conseguem. Acredito que este funcionário atingiu um status que a maioria de nós jamais alcançará, o da satisfação de viver e ser grato pelo que tem e é, independente do quanto isso possa parecer pequeno como projeto de vida de alguém em relação ao que a maioria almeja.
A bem da verdade, uma vida sem muitas aspirações acaba sendo mais fácil de ser vivida, pois sem expectativas não há como existir frustrações e sem frustrações podemos dizer que a felicidade pode ocupar todo o espaço. Enfim, acho que nisso se resume a vida do operário citado pelo meu Professor, onde o sujeito considera exigências mínimas quanto ao que imagina necessitar para se sentir feliz.
Por outro lado, se considerarmos que esta satisfação é "trabalhada" pela empresa - e é isso que acontece de fato - acabaremos por concluir que a felicidade deste sujeito não é totalmente verdadeira, pois ela é condicionada à necessidade da organização de ter colaboradores que não pensem muito em si, justamente para suprir a necessidade de mão de obra de pessoas alienadas a uma rotina diária de produção que no fundo garante a existência da própria organização, então, se este funcionário por acaso pensar que pode ser mais feliz do que é e correr atrás desse aumento de satisfação de alguma forma, seja estudando ou procurando um trabalho onde tenha condição de ser valorizado mais como pessoa do que como apenas uma "extensão da máquina", a organização como um todo sofre um revés, e por isso esta organização fará tudo para que este funcionário pense que tem sorte de ter um emprego, e mais, que se sinta extremamente grato por ele.
Esta é a lei da selva do capitalismo, onde poucos necessitam de muitos pra produzir e outros tantos mais para consumir o que é produzido, e o caminho para este desejo de consumo é convertido na nossa necessidade desses itens produzidos, relacionado a uma felicidade vazia criada e distribuída massivamente através da mídia e que se esvai assim que colocamos a mão naquilo que tanto desejávamos.
Felicidade é estar bem, estar saciado e ao lado de pessoas que nos fazem bem, o resto são invenções neuróticas, pensamentos alienados, criados e distribuídos com o único objetivo de girar a roda da economia, chamada por uns (muito) poucos de "roda da fortuna" mas que para a maioria pode muito bem ser nominada como "a roda das angústias", pois cria necessidades irreais que se não trazem sofrimentos, proporcionam muitas frustrações, por desequilibrar o nível social entre um e outro a partir de bugigangas materiais totalmente dispensáveis diante de nossas verdadeiras necessidades.
A bem da verdade, uma vida sem muitas aspirações acaba sendo mais fácil de ser vivida, pois sem expectativas não há como existir frustrações e sem frustrações podemos dizer que a felicidade pode ocupar todo o espaço. Enfim, acho que nisso se resume a vida do operário citado pelo meu Professor, onde o sujeito considera exigências mínimas quanto ao que imagina necessitar para se sentir feliz.
Por outro lado, se considerarmos que esta satisfação é "trabalhada" pela empresa - e é isso que acontece de fato - acabaremos por concluir que a felicidade deste sujeito não é totalmente verdadeira, pois ela é condicionada à necessidade da organização de ter colaboradores que não pensem muito em si, justamente para suprir a necessidade de mão de obra de pessoas alienadas a uma rotina diária de produção que no fundo garante a existência da própria organização, então, se este funcionário por acaso pensar que pode ser mais feliz do que é e correr atrás desse aumento de satisfação de alguma forma, seja estudando ou procurando um trabalho onde tenha condição de ser valorizado mais como pessoa do que como apenas uma "extensão da máquina", a organização como um todo sofre um revés, e por isso esta organização fará tudo para que este funcionário pense que tem sorte de ter um emprego, e mais, que se sinta extremamente grato por ele.
Esta é a lei da selva do capitalismo, onde poucos necessitam de muitos pra produzir e outros tantos mais para consumir o que é produzido, e o caminho para este desejo de consumo é convertido na nossa necessidade desses itens produzidos, relacionado a uma felicidade vazia criada e distribuída massivamente através da mídia e que se esvai assim que colocamos a mão naquilo que tanto desejávamos.
Felicidade é estar bem, estar saciado e ao lado de pessoas que nos fazem bem, o resto são invenções neuróticas, pensamentos alienados, criados e distribuídos com o único objetivo de girar a roda da economia, chamada por uns (muito) poucos de "roda da fortuna" mas que para a maioria pode muito bem ser nominada como "a roda das angústias", pois cria necessidades irreais que se não trazem sofrimentos, proporcionam muitas frustrações, por desequilibrar o nível social entre um e outro a partir de bugigangas materiais totalmente dispensáveis diante de nossas verdadeiras necessidades.
Moacir Carocia, em 22/02/2014
