ATÉ ONDE PODEMOS IR...
É comum vermos em nosso dia a dia situações de "avanço" do sinal, seja em se tratando de utilização de vagas reservadas em estacionamentos por pessoas fora do grupo a que foram reservadas, seja em direitos garantidos que não nos são dados de fato, como tempo máximo de permanência em filas de bancos ou produtos abaixo do peso especificado na embalagem. Por que coisas assim acontecem? Bem, eu acredito que tudo se resume à educação (ou falta de), uma vez que para que possamos viver em sociedade, somos "treinados" (educados) desde pequenos a seguirmos certas trilhas específicas. Acontece que muitos veem a educação como uma conduta razoável e obrigatória para que a sociedade funcione, outros veem como uma linha a ser seguida para que sejam evitados alguns problemas maiores, e então, não se rouba, não por que é sabido que não se rouba mesmo, mas não se rouba por que sabe-se que se a pessoa for pega irá acabar presa, e alguns até aprofundam este conceito, tendo em mente que se forem presos irão ser expostos diante da sociedade, o que seria considerado como algo imensamente reprovável, mas enfim, a pessoa não pratica o roubo por que não quer parecer com alguém que não presta, não alimentando nenhum sentimento negativo quanto ao ato em si, sem considerar que roubar é algo que não se faz, pelo simples fundamento de que não podemos pegar nada que não nos pertença, a menos que nos seja ofertado, autorizado. Em alguns outros casos a situação não chega à subtração em si, mas o desrespeito acontece da mesma forma, como por exemplo quando um vizinho seu dá uma festa e algum convidado estaciona o carro na tua entrada de garagem (quem nunca, né), simplesmente ignorando o fato que aquele carro que ali está, dentro da garagem pode ter de sair por qualquer motivo que seja e la vai você bater à porta do "festeiro" e então, pacientemente tem de esperar a boa vontade do mal educado ir tirar o veículo para que você possa sair. Oras, e a tua liberdade de ir e vir, não foi roubada da mesma forma? Supondo que este vizinho, em sua festa resolveu que a casa dele é uma discoteca, e que ali naquele espaço ele vai poder tocar as músicas favoritas dele e do grupo a que pertence, independente se todos compartilham do mesmo gosto musical, ele te soca goela abaixo músicas as mais variadas, goste você ou não, em um volume irracional e desnecessário, desconsiderando que se é uma festa as pessoas estão ali para interagirem na alegria comum e não seria necessário que o volume do som fosse além de que não atrapalhasse a comunicação entre as pessoas presentes, mas na sanha de mostrar a qualidade do som, este vizinho rouba a paz, de quem tenta conversar na festa, e também de quem mora ao lado, e que as vezes tem alguém doente em casa, ou só queria um tempinho para si em silencio, para estudar ou simplesmente descansar. Parece um assunto chato este, mas o fato é que coisinhas assim acabam até em morte, em situações extremas de indisposição e falta de respeito ao espaço e sossego do próximo. E claro, apesar de teu direito começar onde termina o meu, estes dois espaços invariavelmente se sobrepõem. Quem melhor administra estas situações é aquele que consegue ser mais flexível diante das situações adversas, o que não quer dizer que a pessoa seja "frouxa", apenas sensata, calculando os prós e contras e avaliando o que seja mais razoável a ser feito.
Moacir Carocia, em 30/11/2013
